8 de Março — o que ficou?

8deMarço DiaDaMulher DiaInternacionaldaMulher 19 de junho de 2017

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Depois de algum tempo, o que ficou da nossa comemoração do Dia Internacional da Mulher? Posso dizer o que mais me marcou: ler os post-its que contavam nossas histórias e ver como elas eram duras. Foi uma descoberta perceber como partilhamos dores e lutas semelhantes. Como é comum sermos assediadas por homens próximos, pelos amigos da família, pelos homens com quem convivemos. Ouvimos gracinhas sem graça por todo canto.

Uma de nós contou o assassinato de uma mulher próxima, outra disse ter amigas que foram estupradas. Como é presente o medo – o terror dos passos atrás da gente em uma rua escura. Quantos de nós sabíamos que uma professora de uma escola parceira do UNOi foi morta naquele massacre do réveillon? Não sei se alguma de nós conseguiu ler todos os post-its, porque o olho nublava e a garganta trancava. Na minha cabeça ficou uma constatação mista de alegria e tristeza – então para elas também é assim a vida?

Claro que racionalmente sei disso tudo, sempre soube, mas faz uma diferença imensa sentir o quanto as experiências são semelhantes aqui, com a colega sentada ao nosso lado. Isso muda um aspecto fundamental — a violência e a desigualdade deixam de serem pensadas como acidentes individuais. Deixam também de ser algo coletivo, mas abstrato e distante, e se mostram como são, algo entranhado na sociedade em que vivemos.

Aí vem a reflexão sobre outra parte do dia, aquela em que mostramos aos outros o que queremos, o que não queremos, as estatísticas. Quase como se disséssemos: “Homens, vocês têm agido assim conosco, vejam quanta violência e desigualdade”. Diante de tudo isso, é impossível fugir da pergunta: O que vamos mudar? Sim, mudar, e não adianta pensar que somos perfeitos e que todas essas questões pertencem aos outros. Não se desconstrói centenas e centenas de anos de patriarcado assim, facilmente.

Quem já educou filho sabe como é, falamos um milhão de vezes e a sensação inicial é sempre de que eles não vão aprender nunca. Mudar é das coisas mais assustadoras que existe, é preciso criar um caminho onde não existe nada; é preciso dizer “eu estava fazendo tudo errado”. É disso também que a educação trata, de mudança. Muitas vezes achamos que educar é amontoar conhecimentos fossilizados e repeti-los até decorar. Mas educação tem a ver com mobilizar o que sabemos e ir atrás do que precisamos saber para encarar desafios grandes como construir um outro mundo, melhor, mais igualitário e mais acolhedor para todos.

Exige uma coragem danada, não? Mas quem de nós quer uma vida pequena?

Inês Pinheiro Mendonça

Inês Pinheiro Mendonça

Acha um privilégio conviver com pessoas que desestabilizam as certezas que ela tem. Além disso, pode ler, escrever, pesquisar e gargalhar no trabalho. Deu a sorte de ter tido isso como jornalista, e continua a ter como editora.

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