Socialização de prática — “Abrace um amigo”

AtmosferaEscolar RedeUNOi SocializaçãodePráticas 22 de junho de 2017

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É na Educação Infantil que a gente constrói grande parte dos valores que a gente leva para a vida.

Maria Anália Wanelle, professora da Educação Infantil da Escola Sagrada Família, de Goiana (PE), disse essas palavras logo no começo da apresentação da sua experiência no Encontro de Socialização de Práticas de Recife.

A atividade proposta por ela partiu do livro Romeu e Julieta, de Ruth Rocha, que fala sobre duas borboletas de cores diferentes que queriam ser amigas, apesar de isso não ser permitido no jardim onde elas viviam. Junto com os alunos, surgiu o tema do projeto “Abrace um amigo” e até camisetas foram confeccionadas para estimular a vivência.

Depois, a escola convidou duas crianças de fora para brincarem com os alunos: um garoto de 13 anos com Síndrome de Down e uma menina de 4 anos com autismo. Eles jogaram futebol e tiveram uma aula de artes, na qual o objetivo era pintar um quadro bem bonito para dar a algum amigo.

Confira, no vídeo abaixo, a apresentação de Maria Anália sobre a sua prática. Na sequência, veja as perguntas que as professoras presentes fizeram sobre a atividade.


Pergunta: Teve algum momento que você conseguiu envolver a vivência dos pais com os filhos na escola?
Maria Anália: Antes de desenvolver esse projeto, eu sempre tenho o costume de fazer um esboço da minha ideia e passar para os meus pais: “a gente vai desenvolver tal projeto, com tal tema e eu vou propor essas ações, o que vocês acham?”. Então os pais estão constantemente nessa ligação comigo. Tanto é que essa camisa, o desenho que tem nela foi ideia de uma mãe. Todas as dicas, todas as sugestões que os pais deram, eu acolhi e desenvolvi o projeto. Toda vez que a gente trabalha em parceria, a escola, o professor, o aluno, os pais, o trabalho da gente flui de maneira mais agradável, mais harmoniosa e de maneira mais prática. E a aprendizagem dos alunos se torna até melhor. O projeto inteiro, os pais participaram comigo nesse sentido.

Comentário 1: Não é uma dúvida, mas a gente vai olhando e vai lembrando de outras coisas que também se alinham. Tem um livro bem interessante, nessa temática também, que é Flictz, de Ziraldo.
Comentário 2: Eu achei interessante que foi proposta a literatura para a Anália, e da literatura ela acrescentou algo mais e o ciclo de aprendizado foi muito interessante. Esse algo mais é a questão da diferença, a questão da inclusão.
MA: No mundo que a gente vive hoje, os nossos pequenos têm contato logo cedo com esses discursos negativos: o preconceito, a exclusão das pessoas, e isso acontece desde criancinha. Quanto mais cedo a gente trabalhar esses valores, da honestidade, do amor ao próximo, do respeito mútuo, então fica mais fácil de a gente criar adultos sem preconceitos. É repetitivo, mas a gente tem que trabalhar constantemente, porque se a gente não trabalha, a gente acaba deixando de lado, e vai empurrando com a barriga e, quando vai ver, lá na frente não tem mais volta.

Comentário: Quando você fala que primeiro você conquista a família, isso é importante porque as crianças já trazem para a escola a atividade familiar. Na nossa escola, a gente estava trabalhando o Projeto África e a gente teve depoimento de criança que disse “ah, minha mãe disse que quem é negro não é legal”. E, como você falou, o professor mediador consegue, quando traz a família, mudar essa visão, porque a criança leva para a vida social dela esse contexto que é passado na escola.

Pergunta: Você encontrou alguma dificuldade no projeto?
MA: Eu não digo dificuldade. A cada trabalho que a gente desenvolve é um desafio. O pesquisar, o ir atrás, esse convite que eu fiz para essas mães que têm esses filhos com necessidades especiais… essas mães são um pouco traumatizadas com a nossa sociedade porque a nossa sociedade ainda não abraça essas crianças. Então essas mães se sentem um pouco excluídas, se sentem realmente “diferentes”. Então, quando eu fiz esse convite a elas, elas ficaram superfelizes. E o engraçado é que a gente, adulto, já rotula as coisas. A gente quando vê, meio que intencional, quando entra em um lugar e vê alguém diferente, já comenta, aponta, julga… As crianças, em nenhum momento que a gente trabalhou esse projeto com eles, em nenhum momento ele perguntou “tia, fulaninho tem característica diferente”. Isso é o bonito na criança. Então, se a gente trabalhar isso, é maravilhoso.

Pergunta: A escola tem crianças com necessidades especiais?
MA: Tem. A nossa escola não é inclusiva. Meu desafio também foi esse. Como a nossa escola não é inclusiva, eu fiquei com medo principalmente dos gestores barrarem. “Se você trabalhar isso, as mães lá fora vão pensar que a nossa escola é inclusiva e vai chover de criança”. Eu tive muito medo por isso. Eles recebem os alunos, mas não temos o suporte para receber essas crianças.

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